O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

3 de mar de 2010

TESTEMUNHO DE UM OBREIRO DOMINICAL

Domingo, próximo das dez horas da noite.
Homem negro, magro, costelas evidentes, olhar esbugalhado, pupilas dilatadas.
Provavelmente, mais um crackudo.
Passa na porta de uma igreja.
Pede um dinheiro.
As pessoas se esquivam, pedem para trancar os portões.
Tentam evitar a dura realidade de nossa cidade. Entretanto, a realidade está cada vez mais próxima dos ambientes refrigerados e inodoros que se tornaram algumas igrejas.
Devido a insistência do pedinte, um obreiro de plantão fala algumas coisas para ele.
Se inicia um bate-boca.
Xingamentos pesados, ameaças de morte de um lado e de outro a total falta de tato, amor cristão e percepção diante de uma situação assim.
Um rapaz sai de trás das grades e vai conversar com o pedinte tentando acalmá-lo.
Porém, só se ouve o homem gritar: ninguém vai sair, mas eu vou matar aquele cara!
O obreiro de plantão liga para 190 solicitando a presença policial.
Alguém arruma uma bíblia e dá de presente para o homem.
Ele vai embora sem dinheiro, gritando que vai matar o obreiro.
O policial de uma cabine próxima chega após a confusão.
Não teria sido melhor desde o início ter dado a bíblia para o sujeito, ter agido como um cristão ao invés de colocar todos em risco com um atitude bizarra e de mal testemunho?
No próximo domingo o sujeito vai estar orando, recolhendo dízimos, servindo ceia como se nada tivesse acontecido.

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