O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

13 de out de 2009

MINHA FILHA NO TIMOR LESTE...

Este foi o primeiro email dela em terras distantes...muito distantes.

Díli, 11 de outubro de 2009

Saí de Bali- Indonésia por volta de 11h da manhã do dia 10. O vôo estava marcado para as 10h, mas se atrasou. Diferente de todos os outros aviões que viajei o da Indonésia – Timor me deixou com medo. Era um avião velho, teve muita turbulência, toda hora eu sentia que ele estava virando, que podia cair. Foi um vôo muito tenso. Os filhos do pastor haviam me dito que a comida era péssima. Então, me preveni comendo batata no aeroporto. Experimentei mesmo assim a comida indonesiana do avião que parecia cair aos pedaços. Até que não foi ruim. Carne de porco com batata sotê misturados com um molho. O problema foi o molho. No inicio tem um gosto adocicado, típico da Ásia. Depois você começa a sentir a boca queimar. A comida é muito apimentada. E além da pimenta normal que eles usam para cozinhar, no avião eles ainda deram um sache com mais pimenta.

A vista do Timor no avião era sensacional. O país é lindíssimo. Ao posarmos e sairmos do avião comecei a sentir o bafo quente. Díli é uma cidade muito abafada, aqui faz muito calor. Fui encaminhada para uma fila de imigrantes para pegar o visto. A fila estava grande. Dentro do aeroporto os funcionários do governo falam português. Consegui me comunicar e pedi para ir ao banheiro lavar o rosto, pois estava muito quente. Quando voltei, um funcionário me perguntou se eu era professora e de que país. Respondi que era do Brasil e que tinha ido dar aulas, mas não pelo governo. Ele entrou em uma sala e depois voltou para me chamar. Levou-me até a sala da imigração, fazendo com que eu furasse a fila, já que tinham muitos outros na minha frente. Fez isso só porque eu era branca de cabelos claros, diferente de todas as outras pessoas que estavam no aeroporto. Tanto os timorenses quanto os indonesianos que estavam lá eram de pele morena e cabelos pretos.

Do lado de fora, a missionária Silvania estava esperando a mim e a família do Pr. Evaldo. Colocamos as muitas malas que tínhamos em dois carros e seguimos para a casa deles. Fomos pela orla vendo a linda paisagem que tem em Díli. No caminho vi prédios enormes e muito bonitos do governo contrastando com velhas casas feitas de algo que parecia bambu. Lembraram-me muito as ocas, moradias de índios. Parte da praia estava tomada por barracas de feirantes que vendiam frutas. Na água, muitas crianças tomavam banho peladas. Algumas ruas eram cheias de buracos, enquanto outras tinham asfalto. É um país muito desigual economicamente. Apenas os estrangeiros têm uma condição de vida melhor.

Ao longo das ruas tinham faixas penduradas que anunciavam uma inovação no país: internet banda larga. O Pr. Evaldo veio brincando no caminho dizendo que isso era só porque eu estava no Timor. É evidente o crescimento rápido que o país tem. Já tinha lido em sites que em 10 anos o Timor Leste foi o país que cresceu mais do que qualquer outro. A mudança é vista a olho nu.

Chegando a casa da Silvania tiramos as malas do carro e fomos guardá-las para almoçarmos. A casa é grande. Tem 3 quartos mais um escritório, sala e cozinha. Dois dos quartos são suítes, o da Silvania e o que eu estou dormindo. Nos banheiros não tem pia nem chuveiro. Para tomar banho tem que ser como se fosse em tanque. Tem uma canequinha dentro da ‘bacia’ para me ajudar...rs. Finalmente comi comida brasileira depois de 6 dias de viagem pelo mundo todo, experimentando a culinária da França, Arábia e Indonésia. Nunca pensei que fosse ficar tão feliz em comer arroz, feijão, carne (não de cachorro) e beterraba enlatada (aqui não tem beterraba).

Depois do almoço ajudei a tirar a mesa e guardar o resto da comida e depois fui para o quarto desfazer as malas. Era por volta de 18h quando terminei e fui dormir, pois estava muito cansada e ainda não estava adaptada a mudança de fuso horário. Do Brasil para o Timor são 12h de diferença. O problema de ter dormido muito cedo é que eu acordo de madrugada. São 04h57min da manhã e estou escrevendo. Acordei eram umas três e pouca. Li a bíblia, livros, orei, mas não consegui voltar a dormir. Às 7h a Silvania disse que teríamos que acordar para irmos à igreja. O culto começa às 9h, mas temos que chegar às 8h para arrumar as coisas. Aqui só tem culto pela manhã. Espero poder entrar na internet amanhã para avisar que cheguei bem e enviar esse texto contando como foi esse dia. Depois escreverei como foi a viagem até aqui, com a parada na França, Arábia e Indonésia. Pretendo postar as fotos também. Fiz vários vídeos, mas são pesados, ficará difícil colocá-los na internet.
Bem, é isso. Estou amando tudo. Morrendo de saudade do Brasil, mas muito feliz em poder estar aqui. Continue orando por mim e pelo Timor. Que Deus esteja a frente de todo trabalho que farei aqui e que me ajude a aprender o Tétum.
“E quando se ouviu o rugido do céu por cima da casa, multidões vieram correndo para ver do que se tratava, e ficaram espantadas ao ouvir seus próprios idiomas falados pelos discípulos. Como pode ser isto? Pois estes homens são da Galiléia e apesar disso nós ouvimos todos eles falando as línguas das terras onde nascemos. Aqui estamos parto, medos, elamitas, homens da Mesopotâmia, da Judéia, da Capadócia, do Ponto e Ásia, da Frigia, da Panfilia, do Egito, das regiões da Líbia ao redor de Cirene, visitantes de Roma – tanto judeus como convertidos ao judaísmo – cretenses e arábios. E todos nós ouvimos estes homens falando em nossas próprias línguas a respeitos dos magníficos milagres de Deus.” - Atos 2: 6-11

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