O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

5 de ago de 2009

UM VERÃO PUNK DE AVIVAMENTO


"Acho que o culto atual é consequência de uma falta de educação, isto é, de um processo educativo. Cada vez menos estudamos, cada vez menos raciocinamos e cada vez menos fazemos o que realmente queremos e somos cada vez mais levados pela onda. Acho que o estilo de culto mencionado no texto é uma tentativa patética de adequação ao quadro descrito acima. Digo patética, porque eu mesmo, vindo de origem humilde, encontrei na igreja a inspiração para ir atrás da minha educação. A igreja não se conformou com a minha falta de acesso, ao invés disso, me mostrou o caminho, e me cobrou resultados. Hoje existe o medo da cobrança, os menos educados não gostam da cobrança e acham que a vida é contemplação. Como a própria origem da palavra, contemplam a ação daqueles que fazem para si e não mostram o caminho aos outros, e neste ensejo, não cobram para não perderem seus espectadores."
Flávio Barreto
Começamos dentro da banda um debate virtual sobre louvor e adoração, após passarmos entre nós a postagem de ACMataruna (leia aqui). O desconhecimento do mundo ao redor, ou apenas o conhecimento do quarteirão no qual vivemos, produz distorções gigantescas. Principalmente quando o referencial não passa além da ponta do nariz. O horizonte não é visto porque estamos vesgos olhando para a ponta do nariz.
É claro que o extremismo ou estrabismo religioso, deixa de lado o conhecimento em prol, da manipulação, que é muito mais fácil de ser aceita, digerida e cantada.
Letras de apelo contemplativo servem mais para se fechar os olhos, levantar os braços e aparentar uma comunhão maior.
Estudar, aprender ou mudar a perspectiva dá trabalho.
Lembro que nos anos 70, as bandas de rock eram de pura contemplação. O rock progressivo eclodiu com letras reflexivas, dezenas de camadas sonoras e climas etéreos.
No meio da década, o movimento punk com letras diretas, poucos acordes e muita atitude quebrou os paradigmas. Quem sobreviveu ao verão de 76, conseguiu entender que não dava apenas para ser contemplativo.
O mundo não se resumia apenas a ponta do nariz.
Talvez as igrejas precisem de um verão punk, que possa mostrar que não dá apenas para contemplar, enquanto o mundo todo se transforma em caos, quando as nossas atitudes podem fazer diferença dentro e fora das igrejas.

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