O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

21 de ago de 2009

PICARETAS GOSPEL ASSOCIADOS LTDA pt 2

Entre os escândalos do senado e as brigas da Globo vs Record, nos espectadores incautos ficamos escapando das balas perdidas, pneus de caminhões e ônibus desgovernados pelas ruas.
Uma das maiores diversões para mim é assistir programas e filmes trash.
E no Top Ten da minha televisão, entre Planeta Terror, My Bloody Valentine e The Machine Girl, estão os programas evangélicos.
Toscos na sua produção, lembram cenários de filmes épicos dos anos 50, ou no pior do design, querem lembrar os cenários do Late Show ou do Programa do Jô.
O melhor é o conteúdo. Entre uma palavra bíblica e outra, sempre tem um merchandising, superando até o até então insuperável Milton Neves.
Talvez eles queiram competir com o Shoptime.
Eu não sei onde está a palavra bíblica e o merchandising. As vezes acho que falam as coisas para vender produtos do que realmente usar aquele espaço como ministério.
Uma coisa que sempre escuto, é que Deus não precisa do nosso dinheiro para fazer qualquer coisa, porém, nós devemos nos sentir gratos por participar da obra de Deus.
E estes apelos por dinheiro, ofertas voluntárias acabam caindo na dicotomia intrigante do mercantilismo que se tornou a fé das pessoas.
Dar dinheiro para abençoar e ser abençoado.
Uma troca não relatada na bíblia, nos diversos modelos e tendências que pastores e editoras lançam.
Lembro que um desses pastores televisivos, muito famoso hoje em dia, tinha em seu programa, spots comerciais da editora evangélica que eu trabalhava. As negociatas, ops...negociações dos pagamentos, envolviam permuta de produtos por espaço no programa.
O tal pastor recebia os produtos com até 50% de desconto.
Na época, a editora evangélica fazia uma bíblia popular que custava na loja uns R$12,00.
O pastor televisivo, recebia os produtos, na maioria bíblias populares com desconto e repassava para seu irmão, que tinha uma loja de produtos gospel.
Mas o problema não estava aí. Raposas do ramo, pegavam as bíblias populares que acabavam saindo por um preço irrisório, douravam a lateral, trocavam a capa e vendiam como bíblias de luxo, num preço mais barato que as bíblias de luxo que vendiamos na época.
Isto aconteceu por mais de um ano, até que os gerentes das lojas descobriram e começaram a pressionar o setor comercial que fazia estas benesses, com intuito discutível.
Talvez eu queira ser certo demais, quando nossos senadores, supostos exemplos, não atuam de forma assim tão exemplar.
Quando nossos governantes querem fazer Copas do Mundo, Olimpíadas para beneficiar empreiteiras e empresários.
É dificil acreditar e confiar na maioria dos políticos e pastores do nosso país.

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