O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

15 de jun de 2009

SURPRESAS

Eu nunca fui uma pessoa devotada a surpresas.
Sempre gostei de saber antes o que iria ganhar.
Quando tinha uns 4 anos, me lembro que meu pai e um sujeito que ele tinha feito um serviço, me levaram a MESBLA da Tijuca, que na época era um imenso galpão (que pegou fogo, aliás uma coisa normal com as lojas e depósitos da empresa).
Lembro meu pai falando para o sujeito que não queria nada, e que se fosse presentear alguém, que fosse eu.
Ele virou para mim e disse: pode escolher o que você quiser.
Meus olhos bateram direto no Autorama da Estrela série Monza. Com carros rebaixados e modernos para a época.
Meu pai falou: é caro, escolhe outra coisa.
Falei não. E o sujeito concordou.
Ganhei o autorama.
Minha mãe sempre reclamava que não podia fazer surpresas para mim.
Comprava uma roupa e eu não gostava.
Num determinado momento, ele começou a me dar dinheiro para eu comprar o que quisesse.
Depois só queria que eu mostrasse o que tinha me dado de presente.
Comprei muitos discos assim.
Em 12 anos de casado, minha ex-mulher só acertou em um presente surpresa: uma camisa do América, time que torço ( ou pelo menos finjo).
Até hoje, a elogio pelo presente, depois de quase 8 anos separados.
Sou chato mesmo com presentes e festas surpresas.
Semana passada acabei estragando a (metade) da surpresa de um amigo.
Quase fui trucidado e esquartejado pela esposa dele.
E ainda fui repreendido por ele por ter falado demais.
Pelo menos, entre mortos e feridos, sobrevivi.
Talvez tenha sido a minha indiferença com surpresas.
Agora, ficarei mais atento com estas coisas, em relação aos outros.
Comigo, continuo não gostando de surpresas.
A menos que seja a camisa do América ou uma guitarra Wolfgang 2.


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