O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

1 de mai de 2009

SOCIALISMO LITERÁRIO DOS BLOGS: UM RECADO SEM GARRAFA

Ontem encontrei uma amiga que reclamava do dia que teve.
Cansativo e desgastante.
Aliás, as últimas vezes que a encontrei reclamava das mesmas coisas.
Recém-casada, devia estar cansada de outra coisa.
Ou pelo menos revigorada de estar indo para casa para curtir o marido, a casa nova.
De repente a situação é oposta.
Está reclamando porque o casamento não é lá estas coisas e a vida se tornou monótona e chata.
Dá trabalho ser feliz.
Decisões precipitadas para fugir do trabalho que a vida apresenta, traz surpresas.
Nem tudo é flor na rosa.
Tem os espinhos.
Que horrível esta frase.
Entretanto, o clichê se encaixa bem.
Levantar a bandeira da independência e da liberdade é tão ilusória quanto um politico brasileiro ir para Brasília e não usufruir das regalias do Congresso (até o (ir)retocável Gabeira sucumbiu as viagens gratuitas para sua família).
Fugir de responsabilidades, gera outras responsabilidades.
Por mais individualistas que possamos ser, nossos atos sempre refletem ou respingam em alguém.
Há alguns dias troquei uns emails com uma conhecida sobre o conteúdo de um texto que escrevi para o fanzine religioso que ela edita.
Ela reclamou que estava mandando recado.
E que a linha editorial que ela seguia, não permitia este tipo de conteúdo.
Por mais ingênuo que as pessoas possam querer parecer, sempre escrevemos pensando em alguém.
Usamos as nossas vidas e as alheias como um ponto de partida.
Espremendo, fica o sumo do recado, para mim ou para você que está lendo.
Sei que muitas coisas que escrevo nunca serão lidas por quem me inspirei.
No final das contas, blogs servem para socializar idéias, pensamentos, atitudes e recados.
Todo texto serve para isso.
Tornar público o privado, nem sempre leva as coisas a privada.
Um amigo meu disse que agora sabe da minha vida inteira porque está lendo Tudo para Todos sobre Nada.
Eu não releio o que escrevo.
Cada texto acaba fazendo parte de um momento.
E normalmente quero deixar aquilo preso naquele lapso.
Um momentâneo lapso de razão da minha parte.
Engraçado que por mais que tenha escrito e lido nos últimos dois anos (tempo de vida do blog), tenho uns problemas de relacionamento com uma amiga por causa das palavras escritas.
Nem sempre o que escrevemos significa a mesma coisa para quem lê. 
Sem chance de conversar, só ler e escrever, as perspectivas se tornam limitadas.
Como a minha amiga lá de cima que está todo dia cansada.
Sempre com um sorriso no rosto (bem ao estilo histriônico de Ana Paula Valadão) reclama da vida.
Antes, eu reclamava também de tudo. Reclamava mais do que fazia.
Hoje, faço mais que reclamo.
Pitbull sem dentes.
Porém, as atitudes só mudam quando algo interior muda.
Minha amiga reclamante continua reclamando porque só trocou de endereço. Os problemas só trocaram de identidade.
As dificuldades só serão superadas quando ela descobrir que o errado não está fora dela...

Um comentário:

  1. "...Tornar público o privado, nem sempre leva as coisas a privada..."

    Será?

    Tá tão nítido dessa vez!

    Coitada de sua amiga, dá um tempo pra ela. Antes do que imagina, ela vai começar a fazer como Sandra sá diz que faz em sua música : "Já sei olhar pra mim sem precisar de espelho..."

    O aprendizado é inevitável!

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