O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

10 de mai de 2009

AS LIÇÕES MATERNAS

Num determinado ponto de nossas vidas acabamos esquecendo nossas relações mãe x filho, pai x filho, pensando agora, como nossos pais, só que agora em relação aos nossos filhos.
Minha mãe morreu em 1997.
As lembranças e as lições são muitas.
Toda tarde após o almoço, ela sentava ao lado da cama, numa cadeira de praia de madeira e começava a estudar a Bíblia. Como professora, tanto secular quanto da Escola Bíblica, tinha sempre como objetivo se preparar para o ensino da palavra.
Quando era pequeno algumas vezes interrompia seu estudo para perguntar alguma coisa sobre a Bíblia.
Sua Bíblia tenho até hoje lá em casa. Toda marcada, sublinhada, cheia de anotações.
Ela tocava piano. Lia partitura. Eu achava o máximo ler aquelas bolinhas pretas que se tornavam sons e melodias. Queria aprender a lê-las para fazer o mesmo.
Minha mãe era contralto no coro da igreja.
Sempre me trazia aos ensaios.
Pontualidade, organização e assiduidade sempre fizeram parte da vida dela.
Durante muitos anos foi secretária da igreja, sua letra era delicadamente bem desenhada, com português irretocável.
Sua mansidão ao falar, sua sabedoria ao aconselhar foram muito marcantes.
Apesar de eu ser quase que oposto a sua maneira de ser, isto sempre foi muito marcante para mim.
Ela não me batia (alguns dizem que minha rebeldia tenha aparecido por causa da sua complacência), mas seu cuidado e amor desde que eu nasci sempre foram uma referência para mim.
Mesmo não sendo filho natural dela, nunca procurei saber quem foi a minha mãe biológica.
Porque ela sempre completou minhas necessidades em todos os sentidos.
Uma vez quando era pequeno, no sofá da sala lá de casa, devia ter uns 5 ou 6 anos, comecei a chorar ( uma das raras vezes que chorei) e ela perguntou porque estava a debulhar em lágrimas. Respondi que não queria que nem ela e nem meu pai morressem.
Ela calmamente me explicou que todos um dia iriam morrer e quando chegasse a hora, Deus estaria cuidando de mim.
Suas respostas sábias e a paciência quase ilimitada comigo foram profundas na vida.
Claro que como todo filho causei algumas feridas, pela minha auto-suficiência e desejo de ser independente. Não depender de absolutamente ninguém é desejo ilusório de todos nós.
Mas amor de mãe sempre é maior que nossos erros.
E está sempre pronta a perdoar.
Os melhores exemplos que tive foram dentro de casa.
E uma das coisas que mais me amadureceu, foi quando pude cuidar dela após um AVC, que a deixou com seqüelas motoras e na memória.
Pude retribuir um pouco do cuidado que ela teve comigo durante toda a minha vida.
Sei que foi pouco tempo, mas para mim na época, significou um crescimento, entendimento e maturidade.
Compreensão da vontade de Deus e seus propósitos.
Se eu não tivesse sido amado por minha mãe, criado com atenção e carinho, provavelmente hoje não estaria escrevendo aqui.
Aproveite o dia, diga a sua mãe: Te Amo!!!
Estenda aos outros dias do ano esta palavra.
E retribua o cuidado e amor que ela te deu até agora.
Não deixe para depois que você pode fazer a partir de hoje.
Abraços,
Luiz KreK, ops digo....Carlos

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