O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

4 de mar de 2009

LATROCÍNIO MUSICAL

Estou sentado aqui no chão da casa dos meus filhos enquanto estou escrevendo esta postagem.
Os últimos dias tem sido bastante diversificados em idéias.
Aproveito para escrevê-las.
Estava passando numa banca de jornal quando vi pendurado uma revista-cd com o rosto estampado em big-close da senhora popstar gospel Ana Paula Valadão.
Apesar do estrondoso sucesso mercadológico, sua muzk e imagem são bem controversas entre os evangélicos.
Ou amam ou odeiam.
Apesar dos crentes não deverem odiar seu próximo, a exposição pública de seus atos, acaba causando isto.
Talvez eu até esteja sendo extremo em relação a seu trabalho.
Pessoalmente não a conheço.
Só conheço o que ela expõe por aí.
Sua muzk, suas posturas no palco, suas opiniões nos programas de tv.
Tenho escutado e visto muito Metallica.
Baixei uns shows e o making of do ultimo CD.
Tenho vários vídeos de bandas explicando o processo de produção, composição e gravação de seus Cds.
Uma coisa que me chama muito a atenção, que cada um encontra seu ponto de equilíbrio para expor sua criatividade através da muzk.
O gospel, apesar do aspecto de adoração e louvor, também se torna a expressão do compositor ou banda de sua relação com Deus e o mundo que o cerca.
Logo, repetir fórmulas, modelos ou padrões é limítrofe no aspecto intelectual.
Consumir muzk de baixa qualidade, fácil digestão, expelindo sem percebermos.
Claro que o talento não se restringe a uma determinada fórmula.
Ninguém é obrigado a gostar de Metallica.
Nem todos que não são crentes gostam de Metallica.
Ninguém é obrigado a gostar de Lagoinha e seus genéricos ou clones.
E nem todos os crentes gostam de Lagoinha e seus genéricos e clones.
Mas isto é muito dificil os liberais evangélicos entenderem.
Agem muito mais como patrulheiros ideológicos que criticam, acusam, processam e executam a sentença sem direito de respeito ao próximo.
Muitos me criticam por que não gosto de muzk gospel.
E ainda questionam como posso tocar em uma igreja se não gosto da muzk.
Existe uma diferença básica, que mesmo para alguns músicos e ministros evangélicos, não é bem entendido.
Mas devia ser.
O momento que estamos louvando e adorando a Deus ali no templo, é uma atuação conjunta, que envolve músicos, cantores e assistência.
Gostaria de ouvir bandas gospel que soassem sinceras e poderiam até parecer como Metallica, mas não serem clones.
Certa vez um amigo chegou todo animado e disse: cara escuta isto! você vai gostar rock pesado.
Não me lembro o nome da banda.
Ele colocou a muzk.
Virei para ele disse: isto é Ozzy Osbourne, só que num tom diferente do original.
Ele respondeu: como assim?
Coloquei a muzk do Ozzy, e ele viu que era a mesma muzk.
Só que tocada por uma banda gospel.
Qual a diferença entre Ozzy Osbourne, o príncipe das trevas e a banda gospel?
Alguém se atreve a comentar?
Na semana passada, um colega e baterista veio me falar de um baterista que ele considerava o melhor do mundo.
Comecei a perguntar se ele conhecia outros bateristas que foram considerados melhores do mundo e revolucionaram o instrumento.
Ele desconhecia.
Não sabia que Keith Moon do The Who, foi o cara que inventou a bateria de dois bumbos nos anos 60, e hoje tão em voga, através também do pedal duplo.
Nem conhecia Carl Palmer, do ELP que tocava numa bateria girava em torno dele enquanto ele executava as muzks da banda.
A ignorância causa certos lapsos que querendo ou não constroem uma geração de desmemoriados e ignorantes que colocam em pedestais muitos medíocres.
Talvez por isso, a profusão de defensores de Lagoinha e seus subprodutos, do padrão de qualidade duvidosa da MK ou qualquer outra gravadora ou ministério de louvor seja um latrocínio da mente dos incautos.
Roubam o senso crítico e matam qualquer chance das pessoas acessarem outro tipo de muzk.

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