O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

25 de mar de 2009

COMO ZAQUEU...

Há uns domingos atrás a banda foi tocar numa igreja em Miguel Couto, Baixada Fluminense. Tocamos ao sol de meio-dia, causticante.
Enquanto preparávamos o setlist da apresentação, fomos adicionando algumas cantilenas lamuriantes para o povo cantar.
Uma voz sugeriu que cantássemos Como Zaqueu.
A sugestão foi rechaçada por todos os outros membros da banda.
Sucesso que ultrapassa os canteiros gospel, esta canção é uma verdadeira heresia musical.
Para quem ainda não teve a chance de conhecer esta pérola, coloquei o vídeo.
Uma mistura de Lagoinha com outras manjadas fórmulas.

O pastor pediu para tocarmos Como Zaqueu.
Conseguimos nos livrar.
No domingo seguinte, na igreja que participo, tocando no culto o pastor assistente pediu que tocassemos a cantilena. 
Infelizmente, tivemos que tocar.
Dezenas de pessoas comovidas choraram no apelo.
Eu também chorei.
De tristeza.
A primeira vez que ouvi falar de Como Zaqueu, foi quando trabalhava na lanhouse no Jacaré e alguns soldados do tráfico vieram pedir para colocar a muzk no MP3 Player.
Entre os funks proibidões, estava a gospel Como Zaqueu.
Eles diziam que era para abençoar.
Há uns dias atrás, no grupo de estudo falamos sobre a questão musical gospel.
Seus efeitos e defeitos.
Todos sabem, cientificamente provado o efeito que a música causa.
Ritmos sensuais e repetivos levam a diferentes situações.
Concordo que usar a muzk para evangelizar grupos ou tribos, como um meio para alcançá-los é primordial.
Poré, não dá para tocar funk, forró, dance ou hiphop num culto onde as faixas etárias são variadas e os gostos tão sui-generis.
Da mesma forma, cantar Como Zaqueu devia ser pensado da mesma forma.
Entretanto, a falta de noção de muitos pastores e líderes religiosos é tamanha que por estarem embuídos do poder do púlpito (e não do Espírito Santo, que dá o discernimento), provocam estas monstruosidades eclesiásticas.
Já ter que tocar Lagoinha, vendo as atrocidades teológicas da senhora Ana Paula, é difícil.
E agora ter que tocar as canções do gomalinado Regis Danese...
Nesta hora quero ser como Zaqueu.
Baixinho no meio da multidão, sem ter que ver ou ouvir estas cantilenas lamuriantes...

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