O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

1 de mai de 2010

O ESPELHO DO AUTOCONHECIMENTO

Comemorando 3 anos de BLOG, resolvi resgatar alguns textos.
"A percepção que as pessoas acabam tendo dos outros sempre é distorcida.
Como se olhassem os outros através de um vidro canelado.
Vemos mas não enxergamos bem o que está do outro lado.
Quem para mim pode ser amável, jovial e simpático, para outros pode ser um verdadeiros transtorno relacional.
Pessoas não se relacionam bem com pessoas.
Nada de culpar ferômonios, kharma ou outras desculpas anuviadas que possamos usar.
Não gostar de pessoas não é uma exclusividade minha.
Até os mais certinhos, os que se auto-denominam santos dão seus escorregões no gelo fino.
Até quebram o gelo e morrem nas gélidas águas da ignorância.
Tudo para alguns acaba se tornando pessoal.
Um bom dia, uma opinião, um olhar, uma discordância, as discrepâncias ou as diferenças.
Enxergar o macro e não, o micro, olhar para frente e não para seus próprios umbigos, é a excessiva regra de quem quer esconder seus olhares do espelho.
Atribuir a outras pessoas a culpa pela incompetência ou inaptidão de gerir seus desejos e frustrações é perigoso.
Sendo religioso plantonista ou legalista de plantão, não pressupõe o sucesso em suas vidas pessoais ou religiosas.

Suas parcas atuações dentro de pequenos feudos formados para resistir as mudanças e a evolução, a encarar seus medos e frustrações pessoais, é uma regra vigente em diversos níveis, tanto religioso e social.
Os legalistas de plantão exortam seus pares a uma vida correta, pois sempre é mais fácil acusar do que consertar. Dedo em riste, defendem a verdade divina e social como se fossem os arautos celestiais.
Em nome de Deus homens-bomba matam, judeus bombardeiam a Palestina e terroristas atacam os EUA, e vice-versa.
Muitos querem transformar as igrejas evangélicas em santuários radicais e terroristas, pregando uma perfeição que nem pela tangente passa por eles.
Igrejas são hospitais, onde todos, todos mesmo, procuram curam para suas almas doentias.
Supostos santos levantam suas bandeiras de escolhidos por Deus para estarem acima dos outros.
Entretanto, do alto e sues pedestais de barro, não conseguem perceber suas fraquezas, defeitos e incoerências.
Por mais contraditório que possa parecer, o Bem só se percebe quando temos o contraponto do Mal.
É quase herege afirmar isto, mas só podemos fazer o bem, quando percebemos o mal que fazemos.
A diversidade de pessoas nas igrejas prova que Deus ama e quer como seus filhos as mais diferentes personalidades e jeitos.
Mas entender isto, e agir desta forma não é regra.
A regra para muitos está nos pequenos pensamentos e idéias forjadas dentro de suas casas sem o convívio e aceitação do próximo. Entender como agir com as pessoas, só dá para acontecer quando aprendemos a interagir com nossos pares e com eles aqueles que estão fora de nosso circulo social.
E até aqueles que discordamos veementemente.
Alguns querem acreditar que só o bem existe.
O bem que eles elegeram como verdadeiro. Um padrão de qualidade social e religioso.
Mas na verdade, se isolam, se sentem ofendidos, não entendem o sentido do perdão, que não está em quem nos ofende e sim, em quem está ofendido.
O perdão tem que ser como Deus nos perdoa: esquecendo.
Mas é mais fácil e plausível seguir as regras e o legalismo doentio da religiosidade plantonista.
Assim, alguns conseguem ter a sensação que são melhores do que outros, por não iguais a eles.
Sentam nos primeiros bancos, erguem as mãos, e sentem os únicos santos do mundo.
Porém, continuam a não se reconhecerem no espelho."

Publicado originalmente em 14/01/2009

Um comentário:

Seu comentário é importante, mesmo que seja nada, ele pode ser tudo.