O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

4 de dez de 2008

EU ERA ESTRANHO E NÃO SABIA? pt 2

A natureza abomina a normalidade.
Sempre tem que criar um mutante.
Socialmente ou fisicamente.
Por isso desde de pequenos somos acostumados a zoar os esquisitos da turma.
Em contrapartida, os esquisitos aceitam sua condição de inferior.
Assumem serem estranhos, com espinhas, gordinhos, com cabelos gomalinados ou idéias estranhas sobro o normal.
Quando estava no ginásio, lembro do Guilherme.
Alto, magro, óculos preto, desengonçado, dentuço, calças compridas pescando siri.
Tínhamos uma coisa em comum.
Gostávamos de Star Trek. Capitão Kirk, Spock, Bones e a Entreprise.
Acho que eu era estranho no ginásio e nunca tinha assumido esta minha condição.
Guilherme pertencia a uma família tão esquisita quanto ele.
Familia Adams.
Eles moravam em frente a escola num soturno sobrado, digno de REC ou A Bruxa de Blair.
Meu estranho amigo se gabava que tinha a Entreprise e os bonecos. Que havia comprado nos EUA. Dizia ele que era no estilo Falcon.
Menino também brincava de boneco.
O boneco era o poderoso Falcon.
Cara, como eu era estranho mesmo.
Ele descrevia como era a nave, os bonecos e todos ficavam admirados.
Todos os estranhos da turma.
Uns 3 caras.
E eu era um deles.
Caraca.
Ops digo...Careca.
Nosso desejo era ver aquela maravilha NERD.
Guilherme falava que a mãe não deixava ele levar para escola pois alguém que odiasse os estranhos poderia destruir os bonecos.
Comecei a pertubá-lo para ver a Enterprise e os bonecos na casa dele.
Sairiamos da escola e iatravessariamo a rua e naca dele veriamos nosso sonho de consumo.
Que nada.
Dizia que sua não gostava de visitas em casa.
Acho que minha amizade com ele treminou quando um dia ele foi lá em casa me chamando para assistir a Flash Gordon orginal em preto e branco num cinema na igreja católica lá perto.
Minha mãe não deixou.
Acho que foi a maneira que minha encontrou de tirar o filho do caminho dos estranhos.
Foi aí que encontrei outro estranho chamado Zé Carlos...
Continua...

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