O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

7 de out de 2008

TUDO COMEÇA ONDE TERMINA: NO NADA.

Com esta frase, começa o 7 episódio da 5ª temporada de X-files
Scully descobre que tem uma filha e que seus óvulos foram retirados quando esteve abduzida.
Se formos perceber que as amizades, os amores de nossas vidas surgiram assim do nada.
E quando vamos começar algo que se torna grande e importante, também começamos do nada.
Esta sensação de participarmos de algo ou da vida de alguém, só se percebe a dimensão quando chegamos ao fim de tudo: no nada.
Então olhamos e descobrimos como era imenso, importante e indispensável para nós.
As relações entre pais e filhos, por serem sanguíneas, não pressupõe acordos ou cumplicidade.
Muito pelo contrário.
Talvez seja mais difícil interpretar e organizar a relação tão próxima, quanto com os estranhos que se tornam nossos amigos.
Mas é uma relação estreita, que os atalhos não ajudam a entender os lados e muito menos a tornar a convivência pacifica ou ideal.
Conflitos entre as gerações, sempre existirá.
Por mais que a distância temporal seja pequena, nunca o entendimento do meu pensamento será os dos meus filhos.
Nem se nós estivermos concordando.
Apesar de passarmos nossas experiências através de ensinamentos ou comportamentos para eles, nunca será o bastante para que eles ajam de uma forma que seja próxima daquilo que entendemos como certo.
Claro, que quando tinha a idade deles o comportamento os interesses que tinha estavam bem distantes da realidade atual.
MSN, Internet, Orkut, MP3, PS3...
Telefone era um artigo de luxo e caro.
As ligações eram ruins e era mais fácil falar com as pessoas indo até suas casas.
Hoje, a gente deixa um scrap.
O namorado dorme na casa da namorada, e os pais que não concordam são ultrapassados.
Ou então o discurso pobre que se proibir eles farão isso em qualquer canto, se torna mais forte que qualquer principio religioso, cristão ou ético.
Numa época que um cachorro é mais importante que pessoas, onde os políticos continuam sendo éticos apenas com seus umbigos, onde os religiosos de plantão estão mais preocupados com a camisa de futebol do que com os seus músicos que bebem de madrugada e vão tocar em seus templos pela manhã, ainda fedendo cerveja, estabelecer princípios que contradigam os status quo de apenas olharmos os nossos umbigos, soa subversivo.
Aliás uma palavra que caiu em desuso.
Perdeu o significado.
Os comunistas eram subversivos?
Che Guevara era?
Fidel era?
Jaguar era?
Chico Buarque era?
Billy Graham era?
Hoje em dia ser subversivo é ir contra o errado que se estabelece como certo.
Mas a compreensão das pessoas é finita na medida em que se sentem ameaçadas.
Meus filhos se sentem ameaçados por se acharem certos.
Os vizinhos se sentem ameaçados pelo mesmo motivo.
Politicamente correto é não ameaçar ninguém.
Não ir contra princípios duvidosos.
Continuará sendo mais fácil sentar em bancos velhos desconfortáveis.
Será mais fácil não ouvir os pais.
Será certo continuar errado.

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