O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

16 de out de 2008

INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS

Algumas coisas são bem inexplicáveis em nossos relacionamentos.
Conhecemos pessoas que se tornam tão intimas em tão pouco tempo, que nenhuma explicação lógica explica isso.
Aliás, os relacionamentos não são explicáveis de forma alguma.
Conhecer alguém, que te dá uma vontade de estar perto, conversar, querer conhecer mais sobre ela, é uma espécie de encantamento, quase cabalístico.
Interessante que nos relacionamentos de supermercado que muitas vezes abraçamos, podemos até encontrar tempo para desenvolver este tipo estreito de relacionamento.
Esta intimidade com estranhos talvez aconteça pela necessidade brutal que temos em não estarmos sozinhos com nossos pensamentos.
Mesmo a família estando próxima, ao seu lado, por estar tão próxima e intima de nossas necessidades, não percebem o óbvio, estampado em nossas faces.
Então, aparece o estranho.
Ou a estranha.
Canalizamos nossos desejos de tal forma no objeto não identificado, que acabamos identificando ele como alguém que vem fechar um ciclo nas nossas necessidades.
Não que isto seja uma regra, mais a exceção para provar que somos capazes de nos relacionarmos com outras pessoas.
Quanto maior a timidez, maior o impacto destes momentos.
E também não dá para confiar em todos os estranhos que cruzam nossas vidas.
Achar que em um mês, vai conhecer a agenda oculta que o sujeito esconde presa no tampo da gaveta...
Como vemos comumente no cinema, o psicopata sempre se identifica com a sua vítima.
E a vítima empaticamente confia no seu algoz.
Dependendo do nível das nossas necessidades, podem ser benéfico ou um desastre de proporções catastróficas.
Não há como depositar a solução de sua vida em relações fugazes.
Existe um tempo para germinar, crescer e frutificar as nossas relações.
É um trabalho braçal.
Contundente.
Preparar o chão, arar, semear, regar, frutificar para então colher.
Ter amigos e relações verdadeiras é difícil.
Mais por sermos preguiçosos.
A indisposição de trabalhar é corrente.
Ainda mais que temos os supermercados de relações, onde podemos escolher ficar, beijar, dispensar, ignorar, trocar por mercadorias melhores.
Mesmo no século 21, temos que buscar um retorno a era pré-revolução industrial, onde éramos responsáveis pelo que cativávamos.
Com o pequeno príncipe foi assim.

Um comentário:

  1. Oi Luiz, tudo bem?

    Comigo já aconteceu tb te fazer amigos assim. Eles nos cativam a tal ponto que passamos a amá-los.

    Estou feliz que vc está fazendo parte da blogagem. Até agora, nenhum dos participantes disse como vc que é adotado. Temos uma participante que adotou uma menina e ela vai dividir a experiência dela conosco assim como vc.

    Um grande abraco e bom dia.

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