O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

21 de out de 2008

AS PESSOAS SÓ PEDEM O QUE NÃO TEM A OFERECER.

Ouvi esta frase de uma adolescente ontem, e fiquei espantado com a profundidade da declaração.
A principio, aplicada ao desdém de uma pessoa pelo que não era seu, fiquei logo imaginando na aplicação aos nossos, quase sempre turbulentos relacionamentos.
Ciúme, doença compulsiva, aparece nas horas mais estranhas do relacionamento.
Nem adianta dizer que um ciúme em doses moderadas é bom para o relacionamento, que vou discordar.
O ciúme está muito mais ligado a insegurança latente da pessoa, do que do objeto em si.
Se pensarmos que a falta de capacidade em lidar consigo mesmo, gera ciúme, entre tantas outras coisas, não há como decretar que o ciúme é bom para uma relação.
Não confundir o carinho, cuidado, atenção, amor com os doentios diálogos: onde você vai, onde você foi, você estava com quem, porque você sorriu assim para ela.
Claro que é uma visão unilateral masculina, mas corriqueira nos casais.
Sendo que muitos não conseguem esconder a doença, e tornam público o privado.
Quando era casado, nunca fui ciumento.
Aliás, não sou.
Pelo menos até agora.
Lembro que tinha uma amigo de faculdade da minha ex-mulher que ligava para ela meia-noite.
Várias vezes.
Um dia, fui na faculdade com ela pegar umas notas de final de período.
Aproveitei para demarcar território.
Como todo macho de qualquer espécie.
Toda cara que ela falava, me apresentava e perguntava: você é o fulano que liga para minha mulher a meia-noite?
Bem, alguém disse para o sujeito que eu estava caçando o sujeito.
Ele não veio falar com ela.
Parou também de ligar para ela.
Aparentemente deu certo.
Nos 12 anos de casado, acho que foi o único momento que poderia dizer que o ciúme aflorou.
Quantas vezes lemos em jornais que marido mata ou agride a esposa por ciúme.
Lá perto de casa, tem uma escola de samba.
Quando tem roda de samba ou pagode, por volta de uma da manhã, sempre tem uma casal brigando.
Ele mandando a mulher subir. Chamando a bêbada mulher de piranha e afins.
Ela gritando para ele: você é corno mesmo. É frouxo. Não dá no couro.
Ele aproveita o ensejo e dá no couro dela.
Chega a turma do deixa disso. A mulher soluçando e chorando fala para as amigas que vai continuar traindo o cara, para ele um dia dar valor para ela.
Quer causar ciúmes para se sentir valorizada.
Antagonismo supremo.
Muitas vezes, pro não demonstrarmos ciúmes, ouvimos que não gostamos da pessoa, que amor sem ciúmes não é amor.
Estas pessoas que tem esta visão distorcida dos relacionamentos, pedem o que não tem realmente a oferecer: amor próprio, respeito por sim mesma.

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