O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

4 de set de 2008

1988: JETHRO TULL

Uma das melhores aventuras que se pode fazer é ir a um show de rock.
Pela fauna, flora que aparece nestes eventos.
Em 1988, fui assistir ao primeiro show do Jethro Tull no Brazil. Maracanãzinho.
Guardei o dinheiro que ganhei de aniversário, para comprar o ingresso.
Foi o meu auto-presente.
Não podia deixar de ir. As minhas bandas favoritas estavam com seus componentes morrendo ou acabando.
E o Brazil, nunca esteve no circuito das bandas de rock. Mesmo com o RockinRio, 3 anos antes. Era pegar ou largar.
Hoje em dia, o Jethro Tull vem toda hora as nossas terras tupiniquins.
Trinta de julho de 1988...lá fui ao conserto. Como morava na Tijuca, na Mariz e Barros, fui a pé para lá.
A primeira coisa que notei, eram as cadeiras na quadra.
Como assim cadeiras?
Fiquei surpreso.
Sentei lá na frente.
Terceira fileira.
Ia assistir ao show de uma das minhas bandas preferidas de perto...
Um perto relativo. Devia estar uns 10 a 15 metros do palco.
Luzes se apagam.
Ian Anderson entra numa cadeira de rodas, com cachecol, parecendo um velho, quando explode a muzk ele se levanta e mostra toda sua energia rocker.
Na minha frente, também se levantaram alguns.
Que droga.
Rapidamente também levantei para poder assistir.
Fiquei na grade, ao lado dos companheiros.
A apresentação foi sensacional.
Um show só com clássicos da fase inicial e visceral do Tull.
Num determinado momento, resolvi olhar para trás para ver como estavam as pessoas.
Todas sentadas.
Parecia um concerto da OSB no Municipal.
Um dos companheiros de grade, ingeriu algo bastante estranho. Ele se baixou na grade e ficou como se estivesse em transe.
Quando acabou o show e as luzes se acenderem ele levantou e ficou olhando para o teto.
O bagulho foi pesado que ele usou.
No dia seguinte, fui ler no jornal a critica sobre o show.
Se não me engano, José Emílio Rondeau, jornalista e crítico musical, mencionou os headbangers que ficaram na grade durante todo o show. Ele declarou que estávamos no show errado, pois estavamos de pé e na grade.
Nuca gostei dos textos dele. Aliás ele até hoje só escreve abobrinhas musicais, além de distorcer fatos históricos do rock.
Ele devia ter usado o mesmo bagulho do meu companheiro de grade.
Ninguém brigou, caiu bebado ou foi preso.
Um verdadeiro concerto.
Erudito.
Digno da sala Cecilia Meireles ou do Muncipal.

set list da apresentação 30/07/1988:

Intro (tape), Cross-Eyed Mary, Nothing Is Easy, Thick As A Brick, Steel Monkey, Farm On The Freeway, A New Day Yesterday, Fat Man, Budapest, The Swirling Pit, Wond'ring Aloud, My God (w. flute solo, incl. Bourée, Kelpie), Pussy Willow/Pibroch (inst.), Jump Start, Too Old To Rock'N'Roll, Wind Up, Aqualung, Locomotive Breath/Seal Driver (inst.)/Black Sunday (inst)/Thick As A Brick (reprise)

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