O Pé

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Tudo que pisamos, nos apoia.

4 de ago de 2008

EU AINDA ESTOU VIVO...

Talvez uma das doenças que mais afligem a humanidade seja o câncer e a Organização Mundial de Saúde estima que 8 milhões de pessoas morrem das conseqüências da doença.
Mais de 30 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas com o vírus HIV, segundo a Organização Mundial de Saúde. E que por ano morrem 3 milhões de pessoas.
Números apocalípticos.
Seria como a população da cidade do Rio de Janeiro morrer todo ano.
A perspectiva de vida de alguém contaminado com o vírus esta cada vez maior.
Enquanto o câncer, menor.
Uma ex-namorada está carregando o vírus há uns 20 anos.
E está bem de saúde.
Há alguns anos, uma amiga de adolescência morreu devido ao câncer.
Começou nas mamas.
Acreditou na curandeirismo milagroso e religioso de uma destas igrejas renovadas.
Não que eu não acredite na cura.
Acredito na cura divina.
No curandeirismo quase tribal que algumas seitas professam em seus santuários de milagres.
Abusam da fé.
Abusam do nome de Deus.
Milagres acontecem.
Mas não são vendidos ou medidos através de ofertas ou dinheiro como aparece em TVs.
Tenho outra amiga que também está com o mesmo tipo de câncer.
24 anos.
E normalmente nestes casos, a mastectomia é a solução radical mas segura que se pode oferecer a pessoa.
Mas imagino como um mulher deve se sentir ao receber esta indicação para resolver seu problema.
Tão ruim quanto cortar uma perna, uma mão, uma orelha.
Mesmo com próteses, o estigma do câncer persegue.
Esta minha amiga, já teve sua fase destrutiva.
Tanto faz viver como morrer. Hoje ou amanhã.
Ela sempre foi vaidosa com os cabelos. Longos até depois da cintura.
A quimioterapia torna os cabelos escassos.
Exercícios não pode fazer.
Engordou muitos quilos.
Tudo que uma mulher odiaria que acontecesse.
Passamos algum tempo sem nos falarmos.
Já fez umas 3 cirurgias.
Na primeira, tirou uma parte do tumor do tamanho de uma bola de ping-pong.
Tem muita gente que não valoriza esta dádiva e nem percebe realmente o sentido da vida.
Fica discutindo com os outros para saber se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha.
Ou se o poder divino pode ser utilizado como se fosse apropriação indébita para engrandecimento próprio enganando os que precisam de esperança.
Eu não consigo ainda absorver os meus amigos morrendo, ou por doença ou acidente.
E nem consigo engolir os religiosos de plantão e seus discursos incoerentes.
Talvez isto se torne mais fácil quando chegar numa determinada idade, que perceba que nas fotos só eu estou vivo ainda.

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