O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

30 de jul de 2008

FOTOGRAFIAS APRISIONAM A ALMA

As fotografias tem este poder avassalador de guardar momentos que deveriam ser esquecidos ou lembrados para sempre. Depende muito do ponto de vista, do momento.
Como estou revirando fotos e organizando, acabo encontrando e lembrando de coisas que ficam submersas no inconsciente.
Nunca fui muito fã ou tenho gosto de aparecer em fotos. Uma das coisas mais difíceis é eu aparecer em uma foto com alguém.
Teve uma época na adolescência que aparecia em todas fotos de costas.
Todo mundo de frente, e eu de costas.
Ou então, em outra fase, o boné escondendo o rosto.
Diferente de muita gente, que gosta da fanfarronice do arroz de festa e faz questão de aparecer em fotos, sendo convidada ou não.
O mais engraçado das fotos antigas são as vestimentas.
Na era dos bermudões, olhar estas fotos e ver todos com calções minúsculos em relação aos dias de hoje é engraçadíssimo. Chega a ser ridículo.
Naquele tempo eu não usava sunga para ir a praia.
Hoje menos ainda.
As minhas férias escolares eu passava em Niterói. Meu tinha uma casa lá. Ele que construiu.
Nunca fui rato de apartamento.
Fui rato de rua.
Saia de manha e só voltava a noite para dormir.
Almoçar, só quando todos iam almoçar.
Jogávamos direto Taco. O famoso jogo de acertar a lata. com a bola e defendê-la com um pedaço de pau.
Um beisebol nacional.
Hoje em dia, ninguém mais joga.
As ruas são movimentadas, o internet e os jogos eletrônicos substituem a emoção de olhar nos olhos do adversário e gritar: EU VENCI!!!
Na minha época de adolescência, era a época da inocência.
As meninas amadureciam mais rápido que os meninos, mas não na velocidade de hoje, quando encontramos mães de 12 ou 13 anos ou que aos quinze anos já praticaram aborto.
A velocidade da transformação é apocalíptica e não psicológica.
Quem não consegue acompanhar as transformações, amarga um retardo de relações e entendimento com filhos e pares.
Eu não poderia imaginar que 30 anos depois desta foto eu estaria escrevendo virtualmente para pessoas que nem me conhecessem compartilhando a minha memória de maneira descartável.
Amanhã, o que estou escrevendo estará sem importância, pois 30 anos de lembranças em meio a velocidade e quantidade de informações passam diante dos nossos olhos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é importante, mesmo que seja nada, ele pode ser tudo.