O Pé

O Pé
Tudo que pisamos, nos apoia.

30 de abr de 2007

Expressionante!!!

No início do século 20, surge o expressionismo. Uma expressão da arte no seu sentido talvez mais extremo. O alemão foi contundente. Esta era uma época onde os padrões estavam sendo quebrados. Tempos que arte e nem informação eram globalizadas. Onde os efeitos das mudanças demoravam a se espalhar pelo mundo.
Hoje, quando algo de novo acontece em Nova York, podemos até ver o evento ao vivo, participar das mudanças, dos marcos históricos.
Quando aconteceu o ataque ao World Trade Center, meus filhos vieram para mim reclamando que em todos os canais estava passando o mesmo programa. Quando fui ver o que era, me espantei ao ver o acontecido. Na CNN, assisti a colisão do segundo avião.
A arte, a informação andam quase juntas.
Hitler era amante das artes. Era louco mas não rasgava dinheiro. Senão tinha queimado os museus. Ele incorporava o patrimônio artistico e cultural. Os romanos fizeram a mesma coisa com a cultura grega, séculos antes.
Quem detem a informação, controla. É poderoso.
We gotta the power!
Sábado fui assistir ao Concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira com Yamandu Costa.
Por partes.
Informação
Fui com uma amiga. Sentamos no balcão. Na extremidade da fileira. O público era hetereogêneo. Adolescentes, jovens, adultos e terceira idade ( não estou neste grupo ainda Joanna!).
Um grupo de senhoras estava na outra extremidade da fileira. Uma altiva senhora começou a falar bem alto, e aí não dava para não participar.
- Eu conheço o Yamandu desde o tempo que ele usava calça curta. Eu pedi ingresso para ele, mas não deram ingressos nem para ele convidar quem quisesse, esbravejava a velhinha.
O fogoso grupo liderado pela altiva vovó do Yamandu estava inquieto.
- Aqui é muito quente. Tamu aqui perto do teto do teatro. Não dá para ver direito o palco.
Pensei que o palpitante grupo fosse sacar das bolsas Tupperwares com cachorro quentes de forno, empadões de frango e uma garrifinha térmica com o cházinho. Enganei-me.
Mas a velhinha não sossegou
- Eu conheço o Yamandu desde o tempo que ele usava calça curta. Eu pedi ingresso para ele, mas não deram ingressos nem para ele convidar quem quisesse, esbravejava a velhinha. De novo.
Ela continuou desfilando seu rosário de conhecimento sobre a vida e obra do concertista.
- Só vim pra ver a música do Maurício. Vai ser a melhor.
As outras do grupo deviam estar estupefatas com tamanha intimidade que ela tinha com o neto Yamandu e agora com sobrinho-neto Maurício.
Como ela sabia mais que as outras, que só balançavam suas madeixas cor de lilás com leve tom acetinado e prateado, ela era a líder.
- Eu conheço o Yamandu desde o tempo que ele usava calça curta. Eu pedi ingresso para ele, mas não deram ingressos nem para ele convidar quem quisesse, esbravejava a velhinha. De novo mais uma vez novamente. Era a líder. Ela podia repetir quantas vezes quisesse.
Tocou a campainha avisando que o espetáculo começaria em breve.
Salvos pelo toque.
O grupo começou a se acomodar nas cadeiras e as outras conversas abafaram o final do discurso da altiva senhora.
A arte
O concerto foi muito bom. Yamandu Costa em plena forma dedilhou seu violão com extrema competência junto com a OSB que também impressionou. Em algumas partes, por causa do cansaço das 55 horas semanais de trabalho, fechei os olhos e senti a música na sua essência. Quase uma viagem, como se estivesse ouvindo Tales of Topograph Oceans do Yes. Um conceitual album de rock progressivo de 83 minutos, com apenas 4 músicas.
Em determinadas horas me senti num show de rock. Palmas fora de contexto.
Tudo começou quando a platéia, ou melhor, alguns abnegados aplaudiram a entrada dos naipes de músicos. Como sentiram a gafe pararam logo.
Mas eles não estavam satisfeitos. Ovacionaram a entrada do spalla da sinfônica, pensando que era o maestro Roberto Minchuk. Constrangido, ele agradeceu.
Pelo menos acertaram quando o maestro entrou e o aplaudiram. Também nâo tinha mais ninguém para entrar. Era ele ou nada agora.

Set List
Concerto para Orquestra - de José Siqueira
Suíte para Violão de Sete Cordas e Orquestra - de Maurício Carrilho
Abertura da Ópera O Navio Fantasma - de Wagner
Suíte da Ópera O Cavaleiro da Rosa - de R. Strauss
Canção bônus fornecido por Yamandu Costa Se Esta rua fosse Minha

Ao final, aplausos de pé. E ritmados. Me senti novamente num show de rock, quando a multidão bate palmas ritmadas, canta a canção de sucesso e a banda volta para o bis.
Pelo menos no Municipal não cantaram nada.


We will we will rock you
We will we will rock you
We will we will rock you
We will we will rock you
Singin´ everybody...

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